José Ventura Filho jventurafilho@bol.com.br servidor público estadual, lotado no Poder Judiciário, na Comarca de João Pessoa-PB
Envelhecência
Quantas horas se passam a galope sem serem refletidas até onde elas possam nos levar...
Lugares inspirados ou imaginários são pontos de apoio aos sonhos futuros de cada um querendo se distanciar da sua previsível fixação terrestre... Tudo isso são sombras de um tempo futuro urgindo e avisando sobre a caminhada do destino, ponto certo da chegada.
Por mais que queiram apegar às decisões e ou às vontades não se pode dissociar da nossa realidade a existência predeterminada dos fatos que lá na frente nos espera.
O cotidiano se desespera à procura de algo que nos preenche ou nos afasta... Esse é o entendimento da grande maioria, inclusive das pessoas cuja idade já ultrapassa aos seus sessenta anos.
O jovem, com vigor e beleza, em seu absorto pensar, esforça-se no efêmero passeio da juventude...
O idoso, com sua conduta própria e idade mansa, em harmonia com suas dúvidas, fracassos, erros e defeitos, sem qualquer inércia moral, desfila na sua mais tranqüila normalidade...
Dizem que o idoso, com a sua sabedoria e experiência vivida, supera a magia da mocidade, dona das mãos ingênuas das experiências e do furor das descobertas... São crenças ou ofensas sem fundamentos? Fico no meio termo, porque, por enquanto, estou entre os dois tempos.
Desde a minha tenra idade convivi com os idosos... Sou grato em ter sido contemplado por aquela convivência sadia e prazerosa, a ponto de reconhecer que hoje tenho a facilidade, a felicidade e a consciência de enxergar e buscar com serenidade esse importante e imprescindível momento de aceitação e decontemplação desse estágio de vida.
Meus cabelos embranquecidos, meu andar compassado, minhas mãos aquecidas, meu falar emocionado, meu sorriso puro, meu olhar terno e os meus atos verdadeiros são testemunhas desta tão maravilhosa fase da vida que avança velozmente em minha direção.